A Ação Compassiva é um sistema de trabalho íntimo que visa desenvolver a nossa capacidade natural de pensar, sentir e agir compassivamente, construindo uma espécie de “ponte” para o florescimento da verdadeira humanidade, ou seja, a conversão do estado “pré-humano” em que nos encontramos, para o estado plenamente realizado em que, de fato, poderemos nos dizer “humanos”.
Todo este sistema parte da idéia de que a compaixão é, a um só tempo, sentimento, virtude e poder. Sendo sentimento, ela pode nos propiciar experiências reais; como é virtude, pode ser desenvolvida pelo trabalho; e, enquanto poder, ela é capaz de nos permitir atuar voluntariamente realizando mudanças em diversos aspectos da vida.
Para despertar cada uma dessas faces da compaixão, nós contamos com inúmeras práticas e vivências bastante simples e seguras que poderiam muito bem chamar-se “práticas de resgate”, uma vez que o mundo tem se apropriado de muitas formas dos atributos naturais do homem. A verdade é que a ciência acadêmica se apropriou, através do controle do pensamento, do que sentimos e do que podemos perceber, as instituições religiosas tomaram para si a posse das virtudes, e a política controla e limita todo poder… Enquanto isso perdurar, jamais floresceremos à plenitude e jamais seremos realmente humanos.
As nossas “práticas de resgate” atuam, portanto, nesses três aspectos:
Confiança – resgate dos sentimentos para libertar o pensamento
Tolerância – resgate das virtudes para libertar a visão
Gentileza – resgate do poder para libertar as ações
Esta é a base de toda a Ação Compassiva, e é o que chamamos de “Tripé Curador”.

No Tripé Curador, as três curas não são isoladas ou distintas umas das outras. Existe uma relação de interdependência não causal entre elas, ou seja, não se pode atuar em uma sem interferir simultaneamente nas outras. A razão é simples: as três curas são apenas aspectos diferentes de uma só cura. Enquanto a cura dos pensamentos é o aspecto mais interno desta unidade, a cura das ações são a sua face mais externa. Por analogia, é válido comparar esses aspectos internos e externos do Tripé Curador com o milenar conceito chinês de Yin e Yang, como mostra a ilustração abaixo.

Assim, podemos perceber com clareza a origem de outro conceito importante da Ação Compassiva: as “funções da consciência” que, em síntese, representam as nossas quatro formas essenciais de relação com o universo.

A consciência é um sistema de natureza mental destinado a fornecer uma imagem tão completa quanto possível de nós mesmos. Esta imagem é composta por pensamentos, emoções, sensações e movimentos e, embora tenhamos a impressão de estarmos vislumbrando o meio ao nosso redor, nós somos tudo o que a consciência nos mostra.
Não há nada lá fora além de nós mesmos! As coisas que fazemos quando tomados de compaixão é a prova mais cabal desta afirmação. Nós somos o próprio Narciso mitológico que, de tão apaixonados pelo nosso reflexo no lago, esquecemos de nós mesmos e mergulhamos na ilusão.
A Ação Compassiva nos convida a redescobrir o que somos e, corajosamente, despertar a nossa verdadeira essência. A compaixão é a chave e a ponte. Ela é o nosso passaporte para a realidade do Universo, da Vida, enfim… do que SOMOS.

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