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Todos os animais já nascem com as suas habilidades mais importantes prontas para serem utilizadas. Nós, porém, nos acostumamos a pensar que o mesmo não acontece conosco. Para nós, os bebês são criaturas dependentes e indefesas que passarão por muitos meses sem manifestar nada de importante ou útil. Todavia, os recém-nascidos estão muito mais próximos da perfeição orgânica e mental do que a maioria dos adultos.
Durante os nove meses de gestação, o corpo passou por todos os estágios da evolução biológica, repetiu, dia após dia, cada avanço, cada aperfeiçoamento que a natureza pôde propiciar, até emergir do útero materno como um organismo experiente e sábio em sua própria constituição. O corpo tem milhões de anos de evolução, e sabe tudo sobre si mesmo. Ele sabe se defender, se curar, se satisfazer… A única coisa recente é a consciência. A consciência (pré) humana ainda não aprendeu a trabalhar em harmonia com um corpo que é o topo de sua evolução. A situação equivale a um ônibus espacial pilotado por um gorila!
Nós impomos ao corpo todo tipo de interferência (desajeitada) e, com isso, acabamos prejudicando o funcionamento do conjunto. É por isso que precisamos dormir. Quando dormimos, o corpo tem uma “trégua”, ele pode se recuperar um pouco das imperícias da consciência.
O Prof. Henrique José de Souza dizia que se nós pudéssemos dormir por 108 horas seguidas, poderíamos curar, por exemplo, a maior parte dos tipos de câncer (que é uma doença notadamente consciencial). Isso é uma coisa muito difícil de se fazer, mas a meditação pode nos ensinar a não interferir tanto no funcionamento do corpo e, assim, resolver muitas doenças (sintomas, na verdade, pois doença é apenas uma: o desconhecimento da verdade).
Neste sentido, esta prática é especialmente útil, pois, quando dormimos, a primeira coisa que o organismo tenta reorganizar é a sua respiração. Numa pessoa saudável, a respiração durante o sono é idêntica à de um bebê. Os adultos interferem muito na respiração, mas os bebês não fazem isso. A ansiedade, as atitudes defensivas e o desânimo (todos produtos da consciência) interferem diretamente sobre os pulmões, o que reduz consideravelmente a produção de energia. Se as autoridades soubessem disso, haveria tantas campanhas contra o estresse quanto há contra o tabagismo! Mas isso ainda não é interessante, já que toda ansiedade emerge apenas do estilo consumista e competitivo das sociedades modernas…
O fato é que não pode haver transformações sem energia, e uma respiração defectiva implica, de imediato, em menos energia. É por isso que não adianta procurar o crescimento consciencial, a meditação, o despertar, etc., sem cuidar, antes, da respiração. Reaprender a respirar é o mesmo que retomar a jornada rumo à verdadeira humanidade.
Antes de descrever os procedimentos, porém, são necessárias algumas observações importantíssimas:
a) Só quem não sabe pode aprender
Ao praticar este exercício, devemos assumir a nossa total ignorância quanto ao assunto respiração. Nós não sabemos nada sobre respirar! Portanto, vamos aprender com quem sabe: o corpo. Do início ao fim da prática, nós seremos apenas observadores atentos, renunciando a qualquer tipo de interferência.
b) Relaxar não pode ser uma obsessão
A maioria das pessoas não sabe relaxar porque não sabe confiar, elas não conseguem entregar-se livremente… Então, uma instrução do tipo: “relaxe”, pode provocar mais tensão do que relaxamento. O relaxar torna-se uma obsessão para essas pessoas, pois elas acreditam que isso depende do exercício da vontade sobre o corpo. Elas ignoram que um bom relaxamento é um tipo de renúncia! A consciência renuncia ao controle do corpo…
c) Se algo é ridículo, ria!
É muito comum encontrar pessoas que tenham acessos de riso quando tentam relaxar. O riso é uma explosão de energia extremamente saudável e desejável, mesmo quando não tem uma causa conhecida ou é de fundo nervoso. Ele é uma expressão da “inteligência do corpo”, e nunca deve ser reprimido.
d) Nenhuma prática pode garantir sucesso
Mas é certo que, sem prática, não teremos nenhuma chance de alcançar resultados. Nada é mais importante, então, do que perseverar!
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DESENVOLVIMENTO DA PRÁTICA
1. Deite-se confortavelmente com o abdômen voltado para cima. Você pode utilizar um travesseiro se for mais confortável;
2. Solte completamente o corpo (ver a observação “b”) e relaxe. Se estiver com dificuldades para relaxar, simplesmente concentre a sua atenção no movimento do umbigo. Observe como ele sobe e desce à medida que você inspira e expira;
3. De olhos fechados, acompanhe o trajeto do ar entrando e saindo do seu aparelho respiratório. Sinta-o nas narinas, na garganta, na traquéia, pulmões, alvéolos… Não interfira! Apenas observe e sinta sem fazer nada. Fique atento por uns 15 minutos (não precisa marcar no relógio, apenas não tenha pressa de terminar);
4. Inclua na sua observação o efeito de cada inspiração nas outras partes do seu corpo. Não espere perceber nada, somente observe o que muda e não pare de acompanhar a entrada e a saída do ar. Faça isso por aproximadamente 5 minutos;
5. Sem desviar a atenção de tudo que você já está observando, observe também o que muda no ambiente ao seu redor a cada inspiração e expiração. Faça isso por mais 5 minutos.
O passo final desta prática pode ser feito de duas formas, a escolha é sua:
Encerramento 1: Dormindo
Mantenha-se no quinto passo até adormecer.
Encerramento 2: Servindo
Imagine que o ar tem uma coloração azul brilhante (da mesma cor do céu diurno) quando entra pelas suas narinas. Preencha deste azul todas as coisas que você viu mudar durante as suas inspirações. Ao expirar, imagine que o ar que sai pelas suas narinas tem cor dourada radiante (da mesma cor do sol). Agregue ao dourado um profundo sentimento de fraternidade e compaixão por todas as formas de vida, e preencha tudo que você viu mudar nas suas expirações com esta cor. Alargue ainda mais a sua atenção até perceber o efeito das suas respirações (coloridas) em todo o globo terrestre. Mantenha-se assim por mais uns 5 minutos, e depois agradeça à Vida Universal pela oportunidade de servir.
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Esta é uma prática para a vida toda, mas deve ser feita rigorosamente todos os dias, sempre no mesmo horário, por um mínimo de 30 dias seguidos. Talvez o melhor horário seja na meia hora que antecede o seu horário normal de sono, mas ela pode ser feita em qualquer horário, desde que não haja nenhuma possibilidade de interrupção ou de pressa.
Se você for interrompido, não se irrite: simplesmente pare e tente novamente no dia seguinte. Após o período de 30 dias sem interrupções, você pode reservar apenas um dia da semana (todas as semanas, sempre no mesmo dia) para repetir a prática. A periodicidade regular, tão importante para esta prática, visa refletir na organização da sua vida a mesma ordem que o corpo dá à sua respiração… É como se você estivesse aprendendo a “respirar o tempo”!

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